Nunca foi tão fácil encontrar os consumidores exatos de um produto. Nunca foi possível medir resultados de forma tão imediata. Nunca foi tão barato criar um anúncio. A lista de “nuncas” poderia ter vários parágrafos e ilustra a areia movediça que os links patrocinados lançaram sobre o mercado publicitário tradicional.

O principal serviço de links patrocinados – e que faz o Google ser a maior empresa do mundo, com patrimônio de mais de US$ 150 bilhões – é a dupla AdWords/AdSense. São aqueles links que aparecem do lado direito da página de busca do Google (que chega a 81% dos internautas, segundo a NetApplications). Pelo AdWords, é possível anunciar ali e em milhões de sites com conteúdo relacionado ao anúncio. Gasta-se relativamente pouco, já que só se paga por anúncio clicado, e não pelo número de vezes que é exibido.

A revolução dos links patrocinados é usar mecanismos de busca para dotar o anúncio de inteligência. Ele só aparece para palavras-chave relacionadas ao conteúdo. Se alguém tem uma sapataria, pode anunciar só para quem busca “reforma de sapato”. É o sonho dos publicitários: atingir exatamente quem quer ver o anúncio.

Se tudo é muito simples, gerenciar a campanha online não é tão fácil assim, tanto pelo investimento a ser feito como pelo tempo gasto no acompanhamento e na “otimização” dos anúncios. Os únicos pré-requisitos são ter uma conta no Google e R$ 20 de assinatura. O resto é habilidade de entender o mecanismo de leilão.

É preciso também se acostumar a uma nova terminologia: CTR, CPC, impressões, rede de conteúdo, grupos de anúncios. E a uma nova lógica. Não funciona como banner, que o anunciante larga no site para só depois medir o retorno. É tudo imediato. Com decisões tomadas de hora em hora. Não é à toa que o publicitário Ricardo Vaz Monteiro publicou o livro “A Arte da Guerra para ensinar a gerenciar o AdWords”.

“Links patrocinados são sempre bons. Mas há casos em que são mais ou menos indicados”, diz o presidente da agência Click, Abel Reis. “É matador quando o objetivo é vender produtos na hora pela internet, mas não é tão relevante quando queremos agir sobre a imagem e presença da marca (branding).”

Glossário:

CTR – “Click-through rate” é a medida de sucesso de uma campanha. Chega-se ao CTR dividindo o número de vezes que um anúncio foi clicado pelas vezes em que ele foi exibido. Cada termo tem seu CTR, que muda a cada clique.

CPC – Ou “custo por clique” é o valor pago por cada vez que um usuário acessa o link. O anunciante pode definir o máximo que quer pagar por um clique e competir no leilão ou deixar livre para o Google definir o melhor valor.

Impressão – É a exibição do anúncio. Cada vez que ele aparece na tela de um usuário é contada uma impressão.

Rede de conteúdo – São os sites que dão espaço para exibição de anúncios. Dar lances para anúncios na rede de conteúdo significa disputar espaço nesses sites e não na página de busca.